quinta-feira, 17 de junho de 2021

O que é a casa?


uma casa não é nunca
só para ser contemplada;

melhor: somente por dentro
é possível contemplá-la.

Seduz pelo que é dentro,
ou será, quando se abra;
pelo que pode ser dentro
de suas paredes fechadas;

pelo que dentro fizeram
com seus vazios, com o nada;
pelos espaços de dentro,
não pelo que dentro guarda;

pelos espaços de dentro:
seus recintos, suas áreas,
organizando-se dentro
em corredores e salas

(...)

Trecho de “A Mulher e a Casa”
de João Cabral de Melo Neto
Publicado no livro Quaderna (1960).

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Iluminação Artificial: Wallwash, Downlight e Uplight


 WallWash

É um banho de luz na parede. 

Luminária de teto "Mito Alto Side" da Occhio.
     Luminária "Perfil Rei" da Kreon



"Laser Blade" spot ajustável Iguzzini              iN60 Modular Continous Linearity de Iguzzini

Além dessas imagens que eu trouxe, é possível conseguir esse efeito com spots direcionáveis.



Downlight

Luminária embutida no forro, envolta por um refletor para concentrar o feixe de luz (direcionando o feixe de luz de maneira vertical). Cria um feixe de luz bem definido e é ótima para criar efeitos também. É concentrada em uma área tão pequena quanto possível para evitar que a luz se espalhe por toda a divisão, conseguindo uma iluminação muito característica. Porém, quando são usados ​​em grandes salas ou salas, a fim de iluminar todo o local, este tipo de lâmpadas tende a ir em grupos.


Uplight

Luz de baixo para cima através de luminárias que emitam luz direcionada para o forro.
Pode ser confundida com a iluminação de balizadores de piso e de parede, ambos direcionam a luz para o chão ou parede, dependendo do modelo.

 



Fonte de imagem                                                     Fonte da imagem 



    Fonte da imagem                                                                               Modelo "LineaLuce" de Iguzzine


    Fonte da imagem                                                                           Fonte da imagem



 
    Fonte da imagem "Balizador"                                                         Balizador "Blade" da Buzzi & Buzzi


Arandela Uplight utilizada pelo escritório Jacobsen Arquitetura

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Figure Skating

Caiu um cisco no meu olho quando vi pela TV a apresentação da Meagan Duhamel e Eric Radford na Olimpíada de Inverno deste ano, Pyeongchang 2018 - Coreia do Sul.  Com a voz da Adele, ficou "gracioso" eu diria!




P.S.: Eu não entendo nada sobre patinação no gelo, só assisto quando tem olimpíada de inverno e no sofá. Fico achando que é um caminho sem volta, fico vidrada nos times e apresentações, mas aí quando acaba, esqueço tudo e só vou me lembrar de novo se rolar uma ocasião inesperada ou... nas próximas olimpíadas.

Ah, essa ocasião mereceu um registro! A entrega, a sintonia entre os dois, a sincronia com a música escolhida, o jeito como eles vibram quando acertam os passos mais desafiadores! Arrepiei! Eles ganharam bronze, porque parece que quem pocou a boca do balão mesmo foi a Alemanha. 

:*

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Doce Lar

Quando leio algo que gosto, tenho vontade de guardar. Ano passado, estava lendo uma revista (Casa e Jardim, outubro de 2016) e a última página era um texto da coluna "DELEITE - TERAPIA DA CASA". Rasguei a página e fixei no quadro de imã que tenho em meu quarto. Não queria deixá-la ali para sempre, então resolvi guardá-la aqui onde guardo outras porções de coisas que fazem sentido para mim. Logo que iniciei os estudos na faculdade de arquitetura, aprendi muito sobre como o ser humano necessita de abrigo e que o abrigo em si não é apenas para proteção, como já disse antes aqui - o texto abaixo fala de forma mais despojada o significado da casa e do lar.


Nossa casa é muito mais do que um lugar de moradia. Ela não é apenas um espaço físico, construído com cimento e tijolos. É um lugar que representa o amor, o cuidado e a proteção de nossos familiares e amigos mais queridos. Nela convivem as pessoas mais importantes de nossas vidas, nossas memórias mais valiosas, tudo aquilo que mais estimamos. Temos um lugar que nos pertence e ao qual, ao mesmo tempo, pertencemos, onde somos parte de um todo repleto de significados, emoções e histórias de vida.
Como mostrou o antropólogo Roberto DaMatta, o espaço da casa é oposto e complementar ao da rua, lugar de violência, do perigo e do anonimato. A casa é o lugar da intimidade e da privacidade, enquanto a rua é o espaço do público e da impessoalidade. Na rua nos sentimos desprotegidos, vulneráveis e inseguros. É o lugar da competição, da luta, do barulho excessivo, da poluição, do lixo e da sujeira, do trânsito insuportável.
Em casa nos sentimos únicos, especiais e insubstituíveis: sabemos que somos alguém muito importante. É o lugar da compreensão, da reciprocidade e do reconhecimento de nosso valor. Na rua não somos ninguém, somos ignorados, nos sentimos invisíveis e desvalorizados.
Alguns espaços, como o jardim, o quintal e a varanda, nos conectam com o mundo de fora e são considerados parte da casa. No entanto, há outros, como o corredor, o elevador, o hall de entrada, a garagem, que não são só nossos. São compartilhados com outros, desconhecidos ou moradores temporários. Não é à toa que são muito comuns os conflitos com os vizinhos, decorrentes de disputas por espaços que são considerados extensões da casa.
Ilustração Sirio Braz
Muitos homens e mulheres que entrevistei, de diferentes idades e posições sociais, disseram que o momento mais feliz de seus dias é quando chegam em suas casas. E o menos feliz pe aquele quando estão fora delas, na rua, no trânsito ou no trabalho. Eles chamam suas casas de: "meu lar", "meu ninho", "meu cantinho", "meu refúgio", "meu castelo", "meu paraíso" etc.
Ao compreender o simbolismo do lugar onde moramos, podemos entender melhor o significado da palavra lar. Em outras línguas também existem palavras diferentes para casa e lar. Em inglês, por exemplo, house é usada para a construção física, e home é o espaço do afeto, da família, do compartilhamento. Daí a expressão tão conhecida: home sweet home.
Você também acha delicioso poder dizer: "lar, doce lar"?


Mirian Goldenberg
Antropóloga, professora da Universidade Federal 
do Rio de Janeiro e autora de A bela velhice.



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Sobre as cidades serem sombras

As cidades são como as sombras.
São construídas de desejos e medos, embora o fio do seu discurso seja secreto e suas regras, absurdas, as perspectivas enganosas e todas as coisas escondam outra.

Ítalo Calvino - As Cidades Invisíveis