Uma vez eu ouvi um causo, através da filósofa Miriam Garcia, que achei muito interessante e quero registrar aqui para nunca ser perdido. Essa história faz parte de um livro intitulado “Seja feliz todos os dias”, escrito por um padre (já falecido) chamado Léo, que tinha um jeito muito engraçado, por sinal, com aquele sotaque mineiríssimo raiz.
Eu não tive acesso ao livro, mas assisti ao vídeo do Padre Léo e de outras pessoas reproduzindo essa história, que traz uma mensagem muito importante sobre preocupações, ansiedade e problemas comuns que adoecem milhares de pessoas (ouso dizer que quase todos) da contemporaneidade. Por isso, apesar de católico, claro, esses ensinamentos, são para qualquer pessoa.
Então, lá vai uma boa história para os corações preocupados:
Num barzinho em Minas Gerais, tinha ali um boteco com o povo conversando, rindo, bebendo, quando o dono do bar pediu silêncio:
— Pessoal, silêncio aí! Tá passando um negócio importante no rádio!
Ele aumentou o volume, e então veio um pronunciamento do Ministério da Guerra, anunciando que havia estourado a Terceira Guerra Mundial.
Foi aquele alvoroço. Uns correram para buscar a esposa, outros para pegar os filhos. Alguns começaram a gritar, desesperados. Menos um senhorzinho, sentado no mesmo canto, tranquilo, sem mover um músculo.
O dono do bar estranhou e foi falar com ele:
— Uai, Quinzinho, o senhor não tá ouvindo, não? O senhor não escutou a notícia?
— Escutei — respondeu ele, calmo, do mesmo jeito.
— Mas como que o senhor consegue ficar assim, nessa tranquilidade?
E aí o Seu Quinzinho começou a explicar a “lógica” dele:
— Olha, moço… ou eles convocam o pelotão aqui da cidade, ou não convocam. Se não convocarem, eu é que não vou me preocupar agora.
Mas, se convocarem, só podem acontecer duas coisas: ou chamam o pessoal da ativa, ou chamam o pessoal da reserva. Se chamarem só o pessoal da ativa, eu é que não vou preocupar agora.
Mas, se chamarem a reserva, só podem acontecer duas coisas: ou eles me colocam mais pra frente, ou me colocam mais pra trás. Se me colocarem pra trás, eu é que não vou me preocupar agora.
Mas, se me colocarem na frente, só podem acontecer duas coisas: ou eu sou ferido, ou eu não sou ferido.
Se eu não for ferido, eu é que não vou me preocupar agora.
Mas, se eu for ferido, só podem acontecer duas coisas: ou eu sou ferido leve, ou sou ferido grave.
Se eu for ferido leve, eu é que não vou me preocupar agora.
Mas, se eu for ferido grave, só podem acontecer duas coisas: ou eu morro, ou eu não morro.
Se eu não morrer, eu é que não vou me preocupar agora.E, se eu morrer… não adianta nada eu ficar preocupado agora.
E então Padre Léo conclui, nas palavras da Miriam Garcia que inclui uma correlação pertinente:
“O homem não se preocupa tanto com problemas reais,mas com ansiedades imaginárias sobre os problemas reais.”
Eu comecei a reproduzir essa história para meus amigos e familiares e achei engraçado que todo mundo ficou com raiva do Quinzinho, coitado! E você, sentiu ranço do Quinzinho também? hahaha!!
