sexta-feira, 25 de junho de 2021

O elo entre a neurociência e a arquitetura

Entender as influências da neurociência na área da arquitetura é muito relevante. 

A neurociência é empírica e tem desenvolvido métodos, experimentos e instrumentos capazes de comprovar, medir e interpretar a influência dos ambientes construídos sobre os seres humanos. Esse conhecimento fornece, de forma a captar de maneira objetiva, o poder da arquitetura sobre a saúde e o comportamento das pessoas e potencializa investigações visando melhorar o papel desempenhado pela arquitetura na qualidade de vida psíquica dos indivíduos. 

Estar em locais planejados e pensados para o bem estar humano, nada mais é que um dos exercícios estimuladores da neuroplasticidade cerebral. Ou seja, a arquitetura pode influenciar na alteração do cérebro, de forma positiva, mas também infelizmente, quando mal elaborado ou propositalmente elaborado para oprimir, pode ser um gatilho para alterações cerebrais negativas, o resultado dependerá de como for a configuração do espaço.

Neste contexto, a neurociência pensada no prisma da arquitetura vem para instrumentalizar na escolha mais adequada para o conjunto de experiências que se deseja oferecer. As decisões projetuais são influências essenciais para esse objetivo: a escolha da iluminação, o pé-direito, os materiais, a acústica, a paleta de cores, etc. É importante entender como esses mecanismos acontecem para orientar as escolhas mais adequadas.

Alguns termos importantes para começarmos a entender:

neurogênese: gerar novos neurônios. Acontece na área do hipocampo - aprendizagem e memória. Atenção, altos níveis de estresse e pressão comprometem o hipocampo.

neuroplasticidade: modo com o qual o ambiente modela e modula o cérebro humano ao longo da vida. é a capacidade do cérebro de moldar-se.

neurônios-espelho: grupo de neurônios especializados em imitar ações e/ou intenções. É ativado quando ocorre uma ação e quando essa é observada. Ocorre também na leitura da intenção dos outros humanos. Relaciona-se à empatia. Está desenvolvido também na origem da fala humana, na imitação, na aprendizagem.

cognição: resulta da interação contínua entre cérebro - ambiente. 

O corpo (como todo) do organismo, em simbiose com o ambiente, determina a cognição.



Emoções e sentimentos

Emoções primárias
São responsáveis por nossa sobrevivência desde o homem primitivo:
alegria - tristeza - repugnância - raiva - surpresa

Emoções secundárias
São alteradas conforme a cultura em sua expressão com novos significados:
ciúme - culpa - vergonha - embaraço - orgulho

Emoções de fundo
São processos mentais físicos ou mentais contínuos, ou por interações do organismo com o meio. São induzidos por estímulos internos de regulação da vida. 
bem estar - atenção - fadiga - energia - mal estar - relaxamento - ansiedade - apreensão - calma

A maior fonte de todas as informações contidas aqui foram tiradas do 1º Simpósio DASMind, que eu participei como integrante do Gupo ACP.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

O exercício da observação

Toda enxurrada de informações que recebemos diariamente afeta muito a nossa percepção sobre o mundo. Não digo apenas das bolhas de comunicação que vamos nos colocando nas redes sociais. Preciso de um descanso para afinar o meu olhar.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

O que é a casa?


uma casa não é nunca
só para ser contemplada;

melhor: somente por dentro
é possível contemplá-la.

Seduz pelo que é dentro,
ou será, quando se abra;
pelo que pode ser dentro
de suas paredes fechadas;

pelo que dentro fizeram
com seus vazios, com o nada;
pelos espaços de dentro,
não pelo que dentro guarda;

pelos espaços de dentro:
seus recintos, suas áreas,
organizando-se dentro
em corredores e salas

(...)

Trecho de “A Mulher e a Casa”
de João Cabral de Melo Neto
Publicado no livro Quaderna (1960).

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Iluminação Artificial: Wallwash, Downlight e Uplight


 WallWash

É um banho de luz na parede. 

Luminária de teto "Mito Alto Side" da Occhio.
     Luminária "Perfil Rei" da Kreon



"Laser Blade" spot ajustável Iguzzini              iN60 Modular Continous Linearity de Iguzzini

Além dessas imagens que eu trouxe, é possível conseguir esse efeito com spots direcionáveis.



Downlight

Luminária embutida no forro, envolta por um refletor para concentrar o feixe de luz (direcionando o feixe de luz de maneira vertical). Cria um feixe de luz bem definido e é ótima para criar efeitos também. É concentrada em uma área tão pequena quanto possível para evitar que a luz se espalhe por toda a divisão, conseguindo uma iluminação muito característica. Porém, quando são usados ​​em grandes salas ou salas, a fim de iluminar todo o local, este tipo de lâmpadas tende a ir em grupos.


Uplight

Luz de baixo para cima através de luminárias que emitam luz direcionada para o forro.
Pode ser confundida com a iluminação de balizadores de piso e de parede, ambos direcionam a luz para o chão ou parede, dependendo do modelo.

 



Fonte de imagem                                                     Fonte da imagem 



    Fonte da imagem                                                                               Modelo "LineaLuce" de Iguzzine


    Fonte da imagem                                                                           Fonte da imagem



 
    Fonte da imagem "Balizador"                                                         Balizador "Blade" da Buzzi & Buzzi


Arandela Uplight utilizada pelo escritório Jacobsen Arquitetura

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Figure Skating

Caiu um cisco no meu olho quando vi pela TV a apresentação da Meagan Duhamel e Eric Radford na Olimpíada de Inverno deste ano, Pyeongchang 2018 - Coreia do Sul.  Com a voz da Adele, ficou "gracioso" eu diria!




P.S.: Eu não entendo nada sobre patinação no gelo, só assisto quando tem olimpíada de inverno e no sofá. Fico achando que é um caminho sem volta, fico vidrada nos times e apresentações, mas aí quando acaba, esqueço tudo e só vou me lembrar de novo se rolar uma ocasião inesperada ou... nas próximas olimpíadas.

Ah, essa ocasião mereceu um registro! A entrega, a sintonia entre os dois, a sincronia com a música escolhida, o jeito como eles vibram quando acertam os passos mais desafiadores! Arrepiei! Eles ganharam bronze, porque parece que quem pocou a boca do balão mesmo foi a Alemanha. 

:*

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Doce Lar

Quando leio algo que gosto, tenho vontade de guardar. Ano passado, estava lendo uma revista (Casa e Jardim, outubro de 2016) e a última página era um texto da coluna "DELEITE - TERAPIA DA CASA". Rasguei a página e fixei no quadro de imã que tenho em meu quarto. Não queria deixá-la ali para sempre, então resolvi guardá-la aqui onde guardo outras porções de coisas que fazem sentido para mim. Logo que iniciei os estudos na faculdade de arquitetura, aprendi muito sobre como o ser humano necessita de abrigo e que o abrigo em si não é apenas para proteção, como já disse antes aqui - o texto abaixo fala de forma mais despojada o significado da casa e do lar.


Nossa casa é muito mais do que um lugar de moradia. Ela não é apenas um espaço físico, construído com cimento e tijolos. É um lugar que representa o amor, o cuidado e a proteção de nossos familiares e amigos mais queridos. Nela convivem as pessoas mais importantes de nossas vidas, nossas memórias mais valiosas, tudo aquilo que mais estimamos. Temos um lugar que nos pertence e ao qual, ao mesmo tempo, pertencemos, onde somos parte de um todo repleto de significados, emoções e histórias de vida.
Como mostrou o antropólogo Roberto DaMatta, o espaço da casa é oposto e complementar ao da rua, lugar de violência, do perigo e do anonimato. A casa é o lugar da intimidade e da privacidade, enquanto a rua é o espaço do público e da impessoalidade. Na rua nos sentimos desprotegidos, vulneráveis e inseguros. É o lugar da competição, da luta, do barulho excessivo, da poluição, do lixo e da sujeira, do trânsito insuportável.
Em casa nos sentimos únicos, especiais e insubstituíveis: sabemos que somos alguém muito importante. É o lugar da compreensão, da reciprocidade e do reconhecimento de nosso valor. Na rua não somos ninguém, somos ignorados, nos sentimos invisíveis e desvalorizados.
Alguns espaços, como o jardim, o quintal e a varanda, nos conectam com o mundo de fora e são considerados parte da casa. No entanto, há outros, como o corredor, o elevador, o hall de entrada, a garagem, que não são só nossos. São compartilhados com outros, desconhecidos ou moradores temporários. Não é à toa que são muito comuns os conflitos com os vizinhos, decorrentes de disputas por espaços que são considerados extensões da casa.
Ilustração Sirio Braz
Muitos homens e mulheres que entrevistei, de diferentes idades e posições sociais, disseram que o momento mais feliz de seus dias é quando chegam em suas casas. E o menos feliz pe aquele quando estão fora delas, na rua, no trânsito ou no trabalho. Eles chamam suas casas de: "meu lar", "meu ninho", "meu cantinho", "meu refúgio", "meu castelo", "meu paraíso" etc.
Ao compreender o simbolismo do lugar onde moramos, podemos entender melhor o significado da palavra lar. Em outras línguas também existem palavras diferentes para casa e lar. Em inglês, por exemplo, house é usada para a construção física, e home é o espaço do afeto, da família, do compartilhamento. Daí a expressão tão conhecida: home sweet home.
Você também acha delicioso poder dizer: "lar, doce lar"?


Mirian Goldenberg
Antropóloga, professora da Universidade Federal 
do Rio de Janeiro e autora de A bela velhice.