quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Figure Skating

Caiu um cisco no meu olho quando vi pela TV a apresentação da Meagan Duhamel e Eric Radford na Olimpíada de Inverno deste ano, Pyeongchang 2018 - Coreia do Sul.  Com a voz da Adele, ficou "gracioso" eu diria!




P.S.: Eu não entendo nada sobre patinação no gelo, só assisto quando tem olimpíada de inverno e no sofá. Fico achando que é um caminho sem volta, fico vidrada nos times e apresentações, mas aí quando acaba, esqueço tudo e só vou me lembrar de novo se rolar uma ocasião inesperada ou... nas próximas olimpíadas.

Ah, essa ocasião mereceu um registro! A entrega, a sintonia entre os dois, a sincronia com a música escolhida, o jeito como eles vibram quando acertam os passos mais desafiadores! Arrepiei! Eles ganharam bronze, porque parece que quem pocou a boca do balão mesmo foi a Alemanha. 

:*

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Doce Lar

Quando leio algo que gosto, tenho vontade de guardar. Ano passado, estava lendo uma revista (Casa e Jardim, outubro de 2016) e a última página era um texto da coluna "DELEITE - TERAPIA DA CASA". Rasguei a página e fixei no quadro de imã que tenho em meu quarto. Não queria deixá-la ali para sempre, então resolvi guardá-la aqui onde guardo outras porções de coisas que fazem sentido para mim. Logo que iniciei os estudos na faculdade de arquitetura, aprendi muito sobre como o ser humano necessita de abrigo e que o abrigo em si não é apenas para proteção, como já disse antes aqui - o texto abaixo fala de forma mais despojada o significado da casa e do lar.


Nossa casa é muito mais do que um lugar de moradia. Ela não é apenas um espaço físico, construído com cimento e tijolos. É um lugar que representa o amor, o cuidado e a proteção de nossos familiares e amigos mais queridos. Nela convivem as pessoas mais importantes de nossas vidas, nossas memórias mais valiosas, tudo aquilo que mais estimamos. Temos um lugar que nos pertence e ao qual, ao mesmo tempo, pertencemos, onde somos parte de um todo repleto de significados, emoções e histórias de vida.
Como mostrou o antropólogo Roberto DaMatta, o espaço da casa é oposto e complementar ao da rua, lugar de violência, do perigo e do anonimato. A casa é o lugar da intimidade e da privacidade, enquanto a rua é o espaço do público e da impessoalidade. Na rua nos sentimos desprotegidos, vulneráveis e inseguros. É o lugar da competição, da luta, do barulho excessivo, da poluição, do lixo e da sujeira, do trânsito insuportável.
Em casa nos sentimos únicos, especiais e insubstituíveis: sabemos que somos alguém muito importante. É o lugar da compreensão, da reciprocidade e do reconhecimento de nosso valor. Na rua não somos ninguém, somos ignorados, nos sentimos invisíveis e desvalorizados.
Alguns espaços, como o jardim, o quintal e a varanda, nos conectam com o mundo de fora e são considerados parte da casa. No entanto, há outros, como o corredor, o elevador, o hall de entrada, a garagem, que não são só nossos. São compartilhados com outros, desconhecidos ou moradores temporários. Não é à toa que são muito comuns os conflitos com os vizinhos, decorrentes de disputas por espaços que são considerados extensões da casa.
Ilustração Sirio Braz
Muitos homens e mulheres que entrevistei, de diferentes idades e posições sociais, disseram que o momento mais feliz de seus dias é quando chegam em suas casas. E o menos feliz pe aquele quando estão fora delas, na rua, no trânsito ou no trabalho. Eles chamam suas casas de: "meu lar", "meu ninho", "meu cantinho", "meu refúgio", "meu castelo", "meu paraíso" etc.
Ao compreender o simbolismo do lugar onde moramos, podemos entender melhor o significado da palavra lar. Em outras línguas também existem palavras diferentes para casa e lar. Em inglês, por exemplo, house é usada para a construção física, e home é o espaço do afeto, da família, do compartilhamento. Daí a expressão tão conhecida: home sweet home.
Você também acha delicioso poder dizer: "lar, doce lar"?


Mirian Goldenberg
Antropóloga, professora da Universidade Federal 
do Rio de Janeiro e autora de A bela velhice.



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Sobre as cidades serem sombras

As cidades são como as sombras.
São construídas de desejos e medos, embora o fio do seu discurso seja secreto e suas regras, absurdas, as perspectivas enganosas e todas as coisas escondam outra.

Ítalo Calvino - As Cidades Invisíveis


domingo, 23 de abril de 2017

Casa de Sentimentos Bons

Quando você não julga e se torna tolerante, vê com bons olhos, olhos espirituais, olhos de amor e compaixão, tudo muda. A maldade gera angústia, e muitas vezes a maldade está nos nossos olhos, nas pequenas coisas. Quanto mais autêntico (e por que não, puro) você procura ser, mais a sua essência é mostrada, menos ego, mais paz, mais calma. Você consegue ser o seu melhor, levar sorrisos, levar boas palavras aos que precisam, carinho. Muitas vezes não é necessário falar muitas coisas, só o seu exemplo é o necessário. É preciso evoluir. A vida é muito mais do que o trivial do dia a dia, existe um lado nosso que a gente costuma não enxergar, é como se ele estivesse num outro plano. Seria isso o que chamam de plano espiritual? E sim, apesar de não ser só isso, a vida está no trivial do dia a dia, vai acontecendo, através das palavras, das atitudes, de como ela é construída, vivida. O que vamos deixar por aqui? 

Música linda para guardar no coração. 

Forfun - Morada

Faço de mim casa de sentimentos bons
Onde a má fé não faz morada e a maldade não se cria

Me cerco de boas intenções e amigos de nobres corações
Que sopram e abrem portões com chave que não se copia

Observo a mim mesmo em silêncio
Porque é nele onde mais e melhor se diz

Me ensino a ser mais tolerante, não julgar ninguém e com isso ser mais feliz

Sendo aquele que sempre traz amor
Sendo aquele que sempre traz sorrisos
E permanecendo tranquilo aonde for
Paciente, confiante, intuitivo

Faço de mim parte do segredo do universo
Junto à todas as outras coisas as quais admiro e converso

Preencho meu peito com luz, alimento o corpo e a alma
Percebo que no não-possuir encontram-se a paz e a calma

E sigo por aí viajante habitante de um lar sem muros
O passado eu deixei nesse instante e com ele meus planos futuros pra seguir

Sendo aquele que sempre traz amor
Sendo aquele que sempre traz sorrisos
E permanecendo tranquilo aonde for
Paciente, confiante, intuitivo

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A flor e a Náusea

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Drummond