quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

O "causo" do mineirinho no boteco

Uma vez eu ouvi um causo, através da filósofa Miriam Garcia, que achei muito interessante e quero registrar aqui para nunca ser perdido. Essa história faz parte de um livro intitulado “Seja feliz todos os dias”, escrito por um padre (já falecido) chamado Léo, que tinha um jeito muito engraçado, por sinal, com aquele sotaque mineiríssimo raiz.

Eu não tive acesso ao livro, mas assisti ao vídeo do Padre Léo e de outras pessoas reproduzindo essa história, que traz uma mensagem muito importante sobre preocupações, ansiedade e problemas comuns que adoecem milhares de pessoas (ouso dizer que quase todos) da contemporaneidade. Por isso, apesar de católico, claro, esses ensinamentos, são para qualquer pessoa. 

Então, lá vai uma boa história para os corações preocupados:

Num barzinho em Minas Gerais, tinha ali um boteco com o povo conversando, rindo, bebendo, quando o dono do bar pediu silêncio: 
— Pessoal, silêncio aí! Tá passando um negócio importante no rádio!
Ele aumentou o volume, e então veio um pronunciamento do Ministério da Guerra, anunciando que havia estourado a Terceira Guerra Mundial.
Foi aquele alvoroço. Uns correram para buscar a esposa, outros para pegar os filhos. Alguns começaram a gritar, desesperados. Menos um senhorzinho, sentado no mesmo canto, tranquilo, sem mover um músculo. 
O dono do bar estranhou e foi falar com ele:
— Uai, Quinzinho, o senhor não tá ouvindo, não? O senhor não escutou a notícia?
— Escutei — respondeu ele, calmo, do mesmo jeito.
— Mas como que o senhor consegue ficar assim, nessa tranquilidade?
E aí o Seu Quinzinho começou a explicar a “lógica” dele:
— Olha, moço… ou eles convocam o pelotão aqui da cidade, ou não convocam. Se não convocarem, eu é que não vou me preocupar agora.
Mas, se convocarem, só podem acontecer duas coisas: ou chamam o pessoal da ativa, ou chamam o pessoal da reserva. Se chamarem só o pessoal da ativa, eu é que não vou preocupar agora.
Mas, se chamarem a reserva, só podem acontecer duas coisas: ou eles me colocam mais pra frente, ou me colocam mais pra trás. Se me colocarem pra trás, eu é que não vou me preocupar agora.
Mas, se me colocarem na frente, só podem acontecer duas coisas: ou eu sou ferido, ou eu não sou ferido.
Se eu não for ferido, eu é que não vou me preocupar agora.
Mas, se eu for ferido, só podem acontecer duas coisas: ou eu sou ferido leve, ou sou ferido grave.
Se eu for ferido leve, eu é que não vou me preocupar agora.
Mas, se eu for ferido grave, só podem acontecer duas coisas: ou eu morro, ou eu não morro.
Se eu não morrer, eu é que não vou me preocupar agora.

E, se eu morrer… não adianta nada eu ficar preocupado agora.

E então Padre Léo conclui, nas palavras da Miriam Garcia que inclui uma correlação pertinente:

Essa é a filosofia do Seu Quinzinho, que remete bastante ao estoicismo: se o problema tem solução, não precisamos nos preocupar com ele agora; se não tem solução, preocupar-se também não resolve nada. E ele ainda lembra uma frase atribuída a Epiteto (filósofo grego estoico):


“O homem não se preocupa tanto com problemas reais,  
mas com ansiedades imaginárias sobre os problemas reais.”


Eu comecei a reproduzir essa história para meus amigos e familiares e achei engraçado que todo mundo ficou com raiva do Quinzinho, coitado! E você, sentiu ranço do Quinzinho também? hahaha!!

terça-feira, 5 de novembro de 2024

Etapas de um Projeto Arquitetônico - Parâmetros

O projeto de arquitetura é a execução da obra idealizada pelo arquiteto.

Nem sempre o projeto arquitetônico será express, são diversas etapas, veja quais são elas: 

Estudo de Viabilidade
Elaboração de análise e avaliações destinadas à seleção de alternativas para a concepção da edificação e de seus elementos. Estudo de massa.

Estudo Preliminar
Etapa com a primeira versão da interpretação das informações colhidas para elaboração do programa de necessidades, trazidas para a linguagem do desenho arquitetônico (Plantas, cortes esquemáticos, fachadas, etc). Sem detalhamento nenhum. Escala reduzida. Reuniões gerais (fluxograma e zoneamentos da edificação).

Anteprojeto, 

Projeto Legal,

Projeto Básico,

Projeto Executivo,

Projetos Complementares: estrutura, hidráulica, elétrica, paisagismo, arquitetura de interiores, etc.
O último projeto é o "As Built" (projeto como construído).


LINK ROTEIRO PARA DESENVOLVIMENTO DO PROJETO DE ARQUITETURA DA EDIFICAÇÃO [IAB]

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Emoções + Arquitetura: O que as músicas têm a dizer sobre lugares?

Já faz um tempo que boa parte da minha atenção é dedicada a pensar sobre como nós, seres humanos, somos genuinamente afetivos e emocionais em tudo. Esse interesse me fez embarcar em uma jornada de pesquisa focada na nossa relação afetiva com os lugares e me deu suporte para escrever uma dissertação de mestrado abordando esse tema. As emoções, aquelas que geram calafrios, ações/comportamentos incontroláveis do corpo, chegam ao cérebro por meio do afeto direto de estímulos que entram pelas vias sensoriais, além disso, a recuperação da memória de algum afeto e do sentimento sobre ele também pode aflorar emoções. A princípio, nem sabemos exatamente o que são tais emoções, que significados têm, até que uma emoção vire sentimento. 
O meu maior foco de pesquisa tem envolvido a visão, um dos principais veículos sensoriais. Utilizei até o eye tracker (óculos de rastreamento ocular) para analisar como as formas, cores e composições tridimensionais podem nos afetar. Mas também tenho uma grande curiosidade no que diz respeito aos afetos sonoros. Unir som e arte pode nos emocionar de uma forma peculiar, estabelecendo conexões profundas. Dos gatilhos que temos ao ouvir músicas surgem evocações de memórias. Resgatamos imagens: paisagens, cenários, impressões culturais. Lembramos de coisas que nos marcaram, da emoção que sentimos, do sentimento que tivemos. 
Eu simplesmente me realizo descobrindo mais e mais sobre os estímulos que os lugares nos enviam e como isso se desenrola no cérebro, simplesmente porque tudo o que acontece, acontece em algum lugar. A nossa existência depende necessariamente de um plano de fundo para ser real. E como arquiteta, que projeta espaços, lugares e ambientes da vida das pessoas, reforço a cada dia o importante papel social que tenho nesse sentido. Minha busca é incessante por me tornar cada vez mais capacitada para projetar de forma responsável patrimônios que incidem diretamente sobre a saúde mental dos indivíduos de forma perenal.
Não seria uma surpresa dizer que músicas que abordam os lugares e os descrevem me chamam muita atenção, né?
Eu coleciono uma listinha marota de composições musicais que referenciam lugares:

domingo, 12 de setembro de 2021

Autoamor

 

Fonte: Isabelle Feliu

É aprendizado. 
Em um mundo liderado por homens, que lucra com a baixa-autoestima das mulheres, 
o autoamor é um ato revolucionário. 
Nos amemos mais e tomemos as rédeas da nossa existência.
 

Obs.: a cadeira da ilustração é Thonet nº14 (usada em bistrôs, restaurantes, mas versátil e atemporal, foi uma das primeiras cadeiras com produção em massa na história do design industrial por ter uma montagem simples e funcional)

sexta-feira, 25 de junho de 2021

O elo entre a neurociência e a arquitetura

Entender as influências da neurociência na área da arquitetura é muito relevante. 

A neurociência é empírica e tem desenvolvido métodos, experimentos e instrumentos capazes de comprovar, medir e interpretar a influência dos ambientes construídos sobre os seres humanos. Esse conhecimento fornece, de forma a captar de maneira objetiva, o poder da arquitetura sobre a saúde e o comportamento das pessoas e potencializa investigações visando melhorar o papel desempenhado pela arquitetura na qualidade de vida psíquica dos indivíduos. 

Estar em locais planejados e pensados para o bem estar humano, nada mais é que um dos exercícios estimuladores da neuroplasticidade cerebral. Ou seja, a arquitetura pode influenciar na alteração do cérebro, de forma positiva, mas também infelizmente, quando mal elaborado ou propositalmente elaborado para oprimir, pode ser um gatilho para alterações cerebrais negativas, o resultado dependerá de como for a configuração do espaço.

Neste contexto, a neurociência pensada no prisma da arquitetura vem para instrumentalizar na escolha mais adequada para o conjunto de experiências que se deseja oferecer. As decisões projetuais são influências essenciais para esse objetivo: a escolha da iluminação, o pé-direito, os materiais, a acústica, a paleta de cores, etc. É importante entender como esses mecanismos acontecem para orientar as escolhas mais adequadas.

Alguns termos importantes para começarmos a entender:

neurogênese: gerar novos neurônios. Acontece na área do hipocampo - aprendizagem e memória. Atenção, altos níveis de estresse e pressão comprometem o hipocampo.

neuroplasticidade: modo com o qual o ambiente modela e modula o cérebro humano ao longo da vida. é a capacidade do cérebro de moldar-se.

neurônios-espelho: grupo de neurônios especializados em imitar ações e/ou intenções. É ativado quando ocorre uma ação e quando essa é observada. Ocorre também na leitura da intenção dos outros humanos. Relaciona-se à empatia. Está desenvolvido também na origem da fala humana, na imitação, na aprendizagem.

cognição: resulta da interação contínua entre cérebro - ambiente. 

O corpo (como todo) do organismo, em simbiose com o ambiente, determina a cognição.



Emoções e sentimentos

Emoções primárias
São responsáveis por nossa sobrevivência desde o homem primitivo:
alegria - tristeza - repugnância - raiva - surpresa

Emoções secundárias
São alteradas conforme a cultura em sua expressão com novos significados:
ciúme - culpa - vergonha - embaraço - orgulho

Emoções de fundo
São processos mentais físicos ou mentais contínuos, ou por interações do organismo com o meio. São induzidos por estímulos internos de regulação da vida. 
bem estar - atenção - fadiga - energia - mal estar - relaxamento - ansiedade - apreensão - calma

A maior fonte de todas as informações contidas aqui foram tiradas do 1º Simpósio DASMind, que eu participei como integrante do Gupo ACP.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

O exercício da observação

Toda enxurrada de informações que recebemos diariamente afeta muito a nossa percepção sobre o mundo. Não digo apenas das bolhas de comunicação que vamos nos colocando nas redes sociais. Preciso de um descanso para afinar o meu olhar.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

O que é a casa?


uma casa não é nunca
só para ser contemplada;

melhor: somente por dentro
é possível contemplá-la.

Seduz pelo que é dentro,
ou será, quando se abra;
pelo que pode ser dentro
de suas paredes fechadas;

pelo que dentro fizeram
com seus vazios, com o nada;
pelos espaços de dentro,
não pelo que dentro guarda;

pelos espaços de dentro:
seus recintos, suas áreas,
organizando-se dentro
em corredores e salas

(...)

Trecho de “A Mulher e a Casa”
de João Cabral de Melo Neto
Publicado no livro Quaderna (1960).

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Iluminação Artificial: Wallwash, Downlight e Uplight


 WallWash

É um banho de luz na parede. 

Luminária de teto "Mito Alto Side" da Occhio.
     Luminária "Perfil Rei" da Kreon



"Laser Blade" spot ajustável Iguzzini              iN60 Modular Continous Linearity de Iguzzini

Além dessas imagens que eu trouxe, é possível conseguir esse efeito com spots direcionáveis.



Downlight

Luminária embutida no forro, envolta por um refletor para concentrar o feixe de luz (direcionando o feixe de luz de maneira vertical). Cria um feixe de luz bem definido e é ótima para criar efeitos também. É concentrada em uma área tão pequena quanto possível para evitar que a luz se espalhe por toda a divisão, conseguindo uma iluminação muito característica. Porém, quando são usados ​​em grandes salas ou salas, a fim de iluminar todo o local, este tipo de lâmpadas tende a ir em grupos.


Uplight

Luz de baixo para cima através de luminárias que emitam luz direcionada para o forro.
Pode ser confundida com a iluminação de balizadores de piso e de parede, ambos direcionam a luz para o chão ou parede, dependendo do modelo.

 



Fonte de imagem                                                     Fonte da imagem 



    Fonte da imagem                                                                               Modelo "LineaLuce" de Iguzzine


    Fonte da imagem                                                                           Fonte da imagem



 
    Fonte da imagem "Balizador"                                                         Balizador "Blade" da Buzzi & Buzzi


Arandela Uplight utilizada pelo escritório Jacobsen Arquitetura

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Figure Skating

Caiu um cisco no meu olho quando vi pela TV a apresentação da Meagan Duhamel e Eric Radford na Olimpíada de Inverno deste ano, Pyeongchang 2018 - Coreia do Sul.  Com a voz da Adele, ficou "gracioso" eu diria!




P.S.: Eu não entendo nada sobre patinação no gelo, só assisto quando tem olimpíada de inverno e no sofá. Fico achando que é um caminho sem volta, fico vidrada nos times e apresentações, mas aí quando acaba, esqueço tudo e só vou me lembrar de novo se rolar uma ocasião inesperada ou... nas próximas olimpíadas.

Ah, essa ocasião mereceu um registro! A entrega, a sintonia entre os dois, a sincronia com a música escolhida, o jeito como eles vibram quando acertam os passos mais desafiadores! Arrepiei! Eles ganharam bronze, porque parece que quem pocou a boca do balão mesmo foi a Alemanha. 

:*

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Doce Lar

Quando leio algo que gosto, tenho vontade de guardar. Ano passado, estava lendo uma revista (Casa e Jardim, outubro de 2016) e a última página era um texto da coluna "DELEITE - TERAPIA DA CASA". Rasguei a página e fixei no quadro de imã que tenho em meu quarto. Não queria deixá-la ali para sempre, então resolvi guardá-la aqui onde guardo outras porções de coisas que fazem sentido para mim. Logo que iniciei os estudos na faculdade de arquitetura, aprendi muito sobre como o ser humano necessita de abrigo e que o abrigo em si não é apenas para proteção, como já disse antes aqui - o texto abaixo fala de forma mais despojada o significado da casa e do lar.


Nossa casa é muito mais do que um lugar de moradia. Ela não é apenas um espaço físico, construído com cimento e tijolos. É um lugar que representa o amor, o cuidado e a proteção de nossos familiares e amigos mais queridos. Nela convivem as pessoas mais importantes de nossas vidas, nossas memórias mais valiosas, tudo aquilo que mais estimamos. Temos um lugar que nos pertence e ao qual, ao mesmo tempo, pertencemos, onde somos parte de um todo repleto de significados, emoções e histórias de vida.
Como mostrou o antropólogo Roberto DaMatta, o espaço da casa é oposto e complementar ao da rua, lugar de violência, do perigo e do anonimato. A casa é o lugar da intimidade e da privacidade, enquanto a rua é o espaço do público e da impessoalidade. Na rua nos sentimos desprotegidos, vulneráveis e inseguros. É o lugar da competição, da luta, do barulho excessivo, da poluição, do lixo e da sujeira, do trânsito insuportável.
Em casa nos sentimos únicos, especiais e insubstituíveis: sabemos que somos alguém muito importante. É o lugar da compreensão, da reciprocidade e do reconhecimento de nosso valor. Na rua não somos ninguém, somos ignorados, nos sentimos invisíveis e desvalorizados.
Alguns espaços, como o jardim, o quintal e a varanda, nos conectam com o mundo de fora e são considerados parte da casa. No entanto, há outros, como o corredor, o elevador, o hall de entrada, a garagem, que não são só nossos. São compartilhados com outros, desconhecidos ou moradores temporários. Não é à toa que são muito comuns os conflitos com os vizinhos, decorrentes de disputas por espaços que são considerados extensões da casa.
Ilustração Sirio Braz
Muitos homens e mulheres que entrevistei, de diferentes idades e posições sociais, disseram que o momento mais feliz de seus dias é quando chegam em suas casas. E o menos feliz pe aquele quando estão fora delas, na rua, no trânsito ou no trabalho. Eles chamam suas casas de: "meu lar", "meu ninho", "meu cantinho", "meu refúgio", "meu castelo", "meu paraíso" etc.
Ao compreender o simbolismo do lugar onde moramos, podemos entender melhor o significado da palavra lar. Em outras línguas também existem palavras diferentes para casa e lar. Em inglês, por exemplo, house é usada para a construção física, e home é o espaço do afeto, da família, do compartilhamento. Daí a expressão tão conhecida: home sweet home.
Você também acha delicioso poder dizer: "lar, doce lar"?


Mirian Goldenberg
Antropóloga, professora da Universidade Federal 
do Rio de Janeiro e autora de A bela velhice.



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Sobre as cidades serem sombras

As cidades são como as sombras.
São construídas de desejos e medos, embora o fio do seu discurso seja secreto e suas regras, absurdas, as perspectivas enganosas e todas as coisas escondam outra.

Ítalo Calvino - As Cidades Invisíveis


domingo, 23 de abril de 2017

Casa de Sentimentos Bons

Quando você não julga e se torna tolerante, vê com bons olhos, olhos espirituais, olhos de amor e compaixão, tudo muda. A maldade gera angústia, e muitas vezes a maldade está nos nossos olhos, nas pequenas coisas. Quanto mais autêntico (e por que não, puro) você procura ser, mais a sua essência é mostrada, menos ego, mais paz, mais calma. Você consegue ser o seu melhor, levar sorrisos, levar boas palavras aos que precisam, carinho. Muitas vezes não é necessário falar muitas coisas, só o seu exemplo é o necessário. É preciso evoluir. A vida é muito mais do que o trivial do dia a dia, existe um lado nosso que a gente costuma não enxergar, é como se ele estivesse num outro plano. Seria isso o que chamam de plano espiritual? E sim, apesar de não ser só isso, a vida está no trivial do dia a dia, vai acontecendo, através das palavras, das atitudes, de como ela é construída, vivida. O que vamos deixar por aqui? 

Música linda para guardar no coração. 

Forfun - Morada

Faço de mim casa de sentimentos bons
Onde a má fé não faz morada e a maldade não se cria

Me cerco de boas intenções e amigos de nobres corações
Que sopram e abrem portões com chave que não se copia

Observo a mim mesmo em silêncio
Porque é nele onde mais e melhor se diz

Me ensino a ser mais tolerante, não julgar ninguém e com isso ser mais feliz

Sendo aquele que sempre traz amor
Sendo aquele que sempre traz sorrisos
E permanecendo tranquilo aonde for
Paciente, confiante, intuitivo

Faço de mim parte do segredo do universo
Junto à todas as outras coisas as quais admiro e converso

Preencho meu peito com luz, alimento o corpo e a alma
Percebo que no não-possuir encontram-se a paz e a calma

E sigo por aí viajante habitante de um lar sem muros
O passado eu deixei nesse instante e com ele meus planos futuros pra seguir

Sendo aquele que sempre traz amor
Sendo aquele que sempre traz sorrisos
E permanecendo tranquilo aonde for
Paciente, confiante, intuitivo

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A flor e a Náusea

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Drummond

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Te Desejo o Suficiente

Em um aeroporto ouvi um pai e uma filha nos seus últimos momentos juntas. Anunciaram a partida do avião da filha e, perto da entrada, o pai disse, “Te amo, desejo a você o suficiente”. A filha disse, “Pai, nossa vida junto tem sido mais do que suficiente. Seu amor é tudo que eu sempre precisei. Te desejo o suficiente também, mãe”. Elas deram um beijo de adeus e ela se foi.

A mãe andou em direção à janela onde eu estava sentado. Eu podia ver que ela queria e precisava chorar. Tentei não invadir a privacidade, mas ela me cumprimentou perguntando, “Você já disse adeus a alguém sabendo que seria pra sempre?”.

Sim, já disse, respondi. E ao dizer isso me vieram lembranças de quando expressei meu amor e admiração por tudo que minha mãe tinha feito por mim. Reconhecer que os dias dela estavam no final, reservei um tempo para dizer-lhe pessoalmente o quanto ela significava pra mim.

Então eu sabia o que esta mulher estava passando. “Desculpe por perguntar, mas porque esse é um adeus para sempre”, perguntei. “Estou velha e ela vive muito longe. Tenho desafios à frente a realidade é que a próxima viagem dela de volta será para o meu funeral”, ela disse.

“Quando vocês estavam se despedindo eu ouvi você dizer, ‘Te desejo o suficiente’. Posso perguntar o que isso significa?”. Ela começou a rir. “É um desejo que tem sido passando por gerações. Meus pais diziam pra todo mundo”.

Ela parou por um momento como se tivesse tentando lembrar de algo, então sorriu de novo. “Quando dissemos ‘te desejo o suficiente’, estamos querendo que a outra pessoa tenha uma vida cheia de coisas que a sustente”, ela continuou, e então se virou pra mim e disse o seguinte, como se estivesse recitando da memória:

“Te desejo suficiente sol para manter sua atitude iluminada. 
Te desejo suficiente chuva para apreciar o sol ainda mais.
Te desejo suficiente felicidade para manter seu espírito vivo.
Te desejo suficiente dor para que as menores alegrias da vida pareçam muito maiores.
Te desejo suficiente prosperidade para satisfazer suas vontades.
Te desejo suficiente perda para apreciar tudo que você possui.
Te desejo suficiente ‘olá’ até que chegue ao seu final  ‘adeus'”.

Bob Perks.

AMOR É PRA GASTAR!

Na economia da vida, o maior desperdício é fazer poupança de amor. Prejuízo na certa. Amor é para gastar, mostrar, ostentar. O amor, aliás, é a mais saudável forma de ostentação que existe no mundo.

Vai por mim, amar é luxo só. Triste de quem sente e esconde, de quem sente e fica no joguinho dramático, de quem sente e guarda a sete chaves. Sinto muito.

Amor é da boca para fora. Amor é um escândalo que não se abafa. "Eu te amo" é para ser dito, desbocadamente. Guardar "eu te amo" é prejudicial à saúde.

Na economia amorosa, só existe pagamento à vista, missa de corpo presente. O amor não se parcela, não admite suaves prestações.

Não existe essa de amor só amanhã, como na placa do fiado do boteco. Amor é hoje, aqui, agora... Amor não se sonega, amor é tudo a declarar.

Crônica de Xico Sá.



Casa Arrumada - Carlos Drummond de Andrade

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz. 
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas... 

Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida... 
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha. 

Sofá sem mancha? Tapete sem fio puxado? Mesa sem marca de copo? Tá na cara que é casa sem festa. 
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança. 
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde. 
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto... 

Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda. 
A que está sempre pronta pros amigos, filhos, pros netos, pros vizinhos... 
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente. 

Arrume a sua casa todos os dias... 

Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela... 
E reconhecer nela o seu lugar.

Carlos Drummond de Andrade.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Um dia eu cuido do meu cabelo

DIARIAMENTE:

Pentear por 1 ou 2 minutos o cabelo, encostando as cerdas no couro cabeludo para ativar a circulação sanguínea. [Esse eu acho muito difícil eu conseguir... seriam dois minutos eternos]

UM DIA SIM, UM DIA NÃO:

Lavar com xampu e condicionador. Leave-in e reparador de pontas.

UMA VEZ POR SEMANA:

Hidratação (por 20 minutos ou como preferir).

DE 15 EM 15 DIAS: 

Hidratação profunda.
Esfoliação onde houver folículos inflamados (como perto da testa, etc) e peeling capilar.

UMA VEZ AO MÊS:

Banho de brilho (ou tonalização) para dar uniformidade a cor dos fios do cabelo. [Bem difícil essa também]

DE 2 EM 2 MESES OU DE 3 EM 3 MESES:

Cortar as pontas.

A CADA 3 MESES:

Cauterização e queratinização no salão (são tratamentos de choque).
Escovas, selagens e afins.


terça-feira, 14 de abril de 2015

O Contador de Histórias

Será que eu já comentei com alguém que eu adoro filmes biográficos? Acho que o único filme que citei por aqui foi um biográfico. Coincidência! E surpresa minha nem saber do meu próprio gosto, já que faz pouquinho tempo que percebi que a maioria dos filmes que amei eram biográficos. Talvez seja uma fase, pois lembro que há um tempo só gostava de filmes super engraçados, daqueles que fazem você rir de doer a barriga e o maxilar.




O filme fala da questão histórica do país na época dos anos 70, a fundação da FEBEM, o descaso dos funcionários públicos - que ainda existe em excesso.

Uma palavra-chave para dar ao filme: inocência.

Esse filme me fez refletir em como o amor, a bondade e a paciência podem mudar o mundo. Me fez lembrar um versículo bíblico assim: "O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (1 Cor. 13:4-7), "...o amor é o elo perfeito." (Col. 3:14).
A história não termina com um homem que saiu rico de dinheiro da realidade miserável que vivia, mas de um homem que saiu rico, tão rico de amor e cheio histórias para contar que transborda isso para cidade onde vive e também para muito distante dela, já que já ficou entre os 10 melhores escritores do mundo. Eu só espero que na realidade dele, que o filme pode talvez omitir, ele possa estar bem financeiramente sem passar por problemas, já que poucas pessoas valorizam esse tipo de trabalho mesmo portando o título de melhor escritor.